15/08/2014 

Leite Lopes - A Missão

Edição 62

Em artigo anterior argumentei que o debate sobre a internacionalização do aeroporto Leite Lopes estava fora de foco porque é missão quase impossível ultrapassar Viracopos como aeroporto concentrador de cargas (Hub).

 

Um aeroporto internacional precisa ter muito mais que uma pista de pouso comprida com curva de som que não incomoda a vizinhança. Precisa ter companhias aéreas internacionais que desçam nele os seus aviões.

Mas para colocar um aeroporto na rota, companhias aéreas precisam ter carga ou passageiros para trazer e levar, preferencialmente que lotem seus espaços e poltronas. Para ter carga é preciso ter indústrias e comerciantes importando e exportando. Este é o começo, não o fim.

Viracopos tornou-se o maior Hub Airport da América Latina porque foi pioneiro, isto é, o primeiro aeroporto nacional a se especializar em cargas internacionais.

Juntemos a isso o parque industrial de São Paulo e da região de Campinas, alguma mudança na legislação, e pronto: as maiores companhias de carga aérea nacionais e internacionais se estabeleceram ali levando com elas tecnologia, serviços e recursos materiais e humanos de todo o mundo.

Criou-se então um ciclo virtuoso em que mais empresas de alta de tecnologia se estabelecem em torno de Viracopos para agilizar as suas operações internacionais.

É um erro pensar que o processo acontece ao inverso, ou seja, internacionalizado o aeroporto, então naturalmente viriam as empresas e um novo ciclo econômico da cidade teria início.
A prova disso é que, na atualidade, várias cidades portuárias brasileiras, como Vitória, Recife, Brasília e Itajaí oferecem incentivos fiscais para movimentar seus portos e Santos continua cada vez mais sem espaço de armazenagem e movimentação por conta de ter se tornado o maior Hub Port do país.

Poucas companhias marítimas se dispõem a desviar seus navios para estes portos incentivados cujos benefícios são sempre alvo de disputas sobre a sua legalidade e acabam por gerar concentração de empresas interessadas em privilégios, não em desenvolvimento econômico-social.

Mas nem todo leite foi derramado. O aeroporto Leite Lopes ainda pode encontrar sua vocação posicionando-se como aeroporto concentrador de pequenas encomendas nacionais, segmento que na atualidade é liderado pelos Correios, mas que possui potencial de crescimento enorme para empresas de carga aérea. Detalhe: não demandam aviões de grande porte.

A empresa norte-americana Fedex, que a propósito opera em Viracopos, tornou-se uma das maiores companhias aéreas de pequenas encomendas do mundo começando a operar em pequenos aeroportos dos Estados Unidos.

Uma outra opção seria a região de Ribeirão Preto pleitear a criação de um aeroporto industrial, que é um distrito industrial alfandegado para instalar empresas exportadoras que utilizam o aeroporto. Mas para isso o Leite Lopes é pequeno e muito incrustado na cidade.

Claudio César Soares – Coordenador do Curso Técnico de Comércio Exterior
treinamento@exportmanager.com.br

 

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Fonte: Export Manager