15/08/2014 

6ª Economia, 23º Exportador

Edição 70

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou nesta semana o seu relatório anual de estatística do comércio exterior. Segundo o documento, o Brasil subiu uma posição no ranking mundial de exportadores – de 24º para 23º –, e foi responsável por 1,2% das vendas globais no ano passado.

A OMC indicou também que as exportações mundiais tiveram crescimento médio de 15% em 2007 em comparação a 2006, ante elevação de 16% em 2006 em relação a 2005. As exportações brasileiras cresceram, em 2007 à ordem 17%, dois pontos percentuais acima da média mundial.

A previsão do órgão é que o comércio internacional aumente 4,5% em 2008 em comparação a 2007. A projeção do governo brasileiro é de que as exportações cresçam 12% este ano.

Quais as razões que explicam este desempenho, não obstante o real valorizado?

Basicamente, o aumento sustentado dos preços das commodities agrícolas, principal fonte de renda das exportações brasileiras, e  a diversificação dos destinos das exportações, historicamente concentradas na América Latina, Estados Unidos e Europa Ocidental.

Mas o que salta aos olhos nas estatísticas da OMC é relação entre comércio exterior e tamanho da economia.

Das cinco maiores economias do mundo, segundo o Banco Mundial, (EUA, China, Japão, Alemanha e Índia) , quatro (EUA, China, Japão e Alemanha) figuram também como maiores exportadores e importadores do mundo.

Apenas a Índia, quinta maior economia do mundo em 2007, aparece em 28° exportador e 17° importador.

O Brasil aparece como sexta economia do mundo em 2007 empatado com Reino Unido, França, Rússia e Itália. Porém, o Reino Unido é o 7° exportador e 4° importador do mundo; a França é 5° exportador e 6° importador; a Itália é o 8° exportador e o 7° importador; a Rússia é o 13° exportador e o 18° importador.

Como se pode observar, apenas duas das dez maiores economias do mundo, têm uma pequena participação no comércio mundial – Brasil e Índia. O que isso significa?

É simples: o desenvolvimento econômico de um país e o seu potencial de crescimento estão associado à sua participação no comércio mundial.

Na conjuntura econômica atual podemos observar isso acontecendo. O Banco Central aumentou na última quarta-feira, dia 16/04, o juro básico em meio ponto percentual em virtude do risco de aumento da inflação por excesso de demanda.

Segundo os economistas do Banco Central, o crescimento da economia adveio do crescimento do consumo que, por sua vez, resulta da maior oferta de crédito. Como não há oferta de bens suficiente para atender a demanda e eventuais investimentos demoram a aparecer como maior oferta de bens, havendo uma pressão por aumento de preços. Então precisa desaquecer.

A saída óbvia seria incentivar a oferta de bens por meio das importações que, de quebra, aumentariam a procura por dólares e, talvez, reduzisse a valorização do real frente ao dólar gerando um incentivo adicional ao exportador e à manutenção do crescimento econômico.

Mas por que as importações não aumentam? Porque o governo precisa arrecadar a qualquer custo e, desde 2002, tem aumentado sistematicamente os tributos e multas sobre as importações de tal forma que elas não reagem, nem mesmo com o real valorizado.

É uma armadilha: não crescemos porque não temos oferta; não ofertamos porque evitamos o comércio exterior e, assim, continuamos sendo eternamente o país do futuro.
 

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Fonte: Export Manager