15/08/2014 

Exportação: Sempre um bom negócio

Edição 71

Está errado quem pensa que a rentabilidade da exportação depende apenas do câmbio desvalorizado. Os ganhos das vendas externas deve ser analisado sob diversos outros ângulos.

Em primeiro lugar, qualquer empresa tem a obrigação de ter lucro sustentável. Empresas que dão prejuízo são um mal social que acabam por extorquir recursos humanos e materiais da sociedade e devolver nada em troca.

Ao contrário, empresas lucrativas não enriquecem apenas os donos mas a própria sociedade à medida em que aumentam os empregos, distribuem mais renda e tem capacidade de inovar. Perdedores não inovam.

Assim, se uma empresa depende apenas do câmbio para ter ganhos e, desta forma, exportar, então é porque ela não se sustenta com uma margem de lucro competitiva.

Está na teoria econômica: câmbio desvalorizado gera um superlucro ao exportador (super, de sobreposto ao lucro normal, não necessariamente de enorme).

Em segundo lugar, há o ganho fiscal. Como regra aceita internacionalmente, não se deve exportar tributos. No Brasil, há muito o que fazer para desonerar as exportações. Mesmo assim, a saída do bem diretamente ao exterior é imune e o fabricante do produto ainda pode manter contabilmente os créditos dos insumos utilizados no produto exportado.

Assim, se a empresa tem a maior parcela do seu faturamento no mercado doméstico, um percentual de exportação, ainda que com lucro mínimo, seria interessante apenas para compensar os créditos de tributos dos insumos de bens exportados com os débitos resultantes das vendas internas.

 

Terceiro: empresas exportadoras têm acesso a juros menores que os historicamente abusivos cobrados internamente.  Assim, uma carteira de exportação permite obter capital de giro a custo mais baixo, melhorando a competitividade da empresa inclusive no mercado doméstico.

Em quarto lugar estão os ganhos invisíveis. Exportadores têm acesso a mercados e culturas de negócios díspares. Quase sempre é necessária alguma adaptação no produto ou na forma de trabalhar para atender clientes diferentes.

No longo prazo, o convívio com outros mercados e culturas sedimenta uma cultura organizacional que não trava quando mudanças precisam ser feitas. Mudança é a única verdade permanente nos negócios globalizados.

Em quinto lugar: empresas exportadoras ganham em dólares. Dólares permitem importar insumos e tecnologia mais baratos, sobretudo quando o câmbio está valorizado.

Finalmente, empresas que exportam de forma continuada acabam, no longo prazo, tornando-se multinacionais. É o caminho natural, embora não obrigatório, haja vista que muitas empresas já nascem multinacionais.

Empresas multinacionais atingem um nível de  escala e de vantagens competitivas intangíveis que não garante, mas minimiza exponencialmente, o maior risco de qualquer empreendimento  – o risco de não sobreviver porque não conseguiu gerar lucro sustentável nem vantagens competitivas  intangíveis no longo prazo.

Cláudio César Soares, Coordenador do Curso de Imersão em Comércio Exterior.

 

Acompanhe nossas redes sociais

     

Gostou desse conteúdo? Compartilhe com seus amigos.

Fonte: Export Manager