15/08/2014 

O Biquíni e a Balança

Edição 101

Tive um professor na faculdade que dizia que estatística é igual biquíni – revela tudo, mas esconde o fundamental.


Os números da balança comercial de agosto revelam um país de economia pujante e dinâmica batendo todos os recordes históricos do comércio exterior tanto no mês quanto no acumulado do ano para as exportações (26,16 e 166,7 bilhões, respectivamente); para as importações (22,29 e 146,75, bilhões respectivamente) e para a corrente de comércio (313,47 bilhões).


E o saldo comercial, aumentou 71% em relação ao mesmo período do ano passado passando de 11,6 para 20,0 bilhões. Apesar do câmbio, as exportações cresceram 33,3% nos últimos 12 meses e as importações, a propósito do câmbio, cresceram, no mesmo período, 29,9%.


Diante destes números robustos, o governo avalia que o comércio exterior do país atingiu um novo patamar e reviu a meta de exportação de 2011, elevando-a de 245 para 257 bilhões. Os gráficos com as séries históricas demonstram que o otimismo do governo não é ilusão de ótica e, efetivamente, estamos adentrando em um novo nível de volume de comércio exterior, não obstante a conjuntura internacional desfavorável.


Quando olhamos os fundamentos, os números revelam uma economia bruta, que agrega pouco ou nenhum valor ao que produz e na qual 75,5% das exportações estão concentradas em produtos básicos e semimanufaturados, com destaque, no acumulado do ano, para: minério de ferro (US$ 26,6 bi, +66%); petróleo (US$ 14,4 bi, +44%), soja em grão (US$ 12,6 bi, +31%), café em grão (US$ 4,8 bi, +70%), carne de frango (US$ 4,6 bi, +22%); açúcar em bruto (US$ 6,9 bi, +29%), semimanufaturados de ferro/aço (US$ 3,2 bi, +110%) e ferro-ligas (US$ 1,7 bi, +28%). O principal cliente é a China, nosso maior fornecedor também.


Pelo lado das importações, 54,1% estão concentradas em bens de capital, bens de consumo, com destaque para veículos que ocupa 50% das importações deste tipo de uso, e combustíveis e lubrificantes.


O fundamental não está no novo patamar da balança. Está na elevação dos preços das commodities agrícolas e minerais com patamar mínimo de crescimento da ordem de 30% no ano. A soja, o volume exportado caiu 1% no ano, mas os preços cresceram 33%. Os preços do minério de ferro e do petróleo cresceram 58 e 40%, respectivamente.


Como qualquer aluno de economia sabe, no mercado de commodities, o preço é dado pelo mercado enquanto que nos produtos manufaturados o preço é dado pelo fabricante, respeitadas a agregação de valor, a concorrência e a diferenciação do produto.


A China inventou o mercado de commodities industriais utilizando mão-de-obra de baixo custo e abundante. Não é de graça que a China tenha se tornado nosso maior parceiro nas duas pontas.


Estamos diante de uma simbiose – o Brasil exporta as commodities agrícolas e minerais que a China necessita e o Brasil importa as commodities industriais que a China exporta. Mas o futuro da economia não está nos produtos básicos nem na mão-de-obra barata. Está na economia baseada em “cérebros-de-obra”.


Claudio César Soares, 49, é Gerente de Contas da Export Manager Trading School.

 


O que é a origem de uma mercadoria?


Origem é o país onde a mercadoria foi produzida ou, se produzida em mais de um país, o onde  esta sofreu transformação substancial.Transformação substancial ocorre no país onde ocorreu salto tarifário.


O critério de salto tarifário é objetivo porque a tabela de classificação de mercadorias, no nosso caso a Nomenclatura Comum do MERCOSUL, cresce em valor agregado indo de animais vivos, bens que estão na natureza até obras de arte, o próprio espírito humano materializado.


Câmbio


Dólar – compradores, incluindo a mesa do Banco Central, forçando a alta, mas que não se sustenta diante da oferta. Descolamento do mercado spot em que novo patamar foi atingido.
Euro – cotação atingiu teto na última sexta-feira. Viés de baixa na semana.

 

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Fonte: Export Manager