15/08/2014 

Câmbio: Allegro Ma Non Troppo

Edição 104

A volatilidade do câmbio na semana passada expôs em público a meta de câmbio do Banco Central, mesmo que seja para contradizer o seu chefe, o Ministro da Fazenda.


Na quinta-feira, 23, a PTAX – taxa média do mercado - atingiu a sua maior cotação desde 2008, durante a crise financeira global, e foi a 1,95. Até a terça-feira, 20, enquanto o dólar se descolava do teto anterior de 1,64 e atingia 1,78, o Ministro da Fazenda dava declarações otimistas afirmando em público que a desvalorização do real ajudaria a exportações de manufaturados e compensaria a perda dos preços das commodities desde agosto desde ano.


Porém, a incerteza dos mercados financeiros europeus, entre o calote declarado e a postergação de medidas severas de ajuste, como ou sem ajuda financeira, levaram o dólar a bater a casa de 1,95 em torno do meio dia da quinta-feira, 23, fechando a 1,90.


Contradizendo as declarações do Ministro da Fazenda, o Banco Central, na mesma quinta-feira, 23, declarou  em um seminário a investidores em Washington que “o Banco Central está pronto para intervir no câmbio”. O motivo da declaração foi a preocupação com a inflação.


Qualquer economia possui dois preços básicos: o preço da moeda nacional (juros) e o preço da moeda estrangeira (câmbio). Desde 1990, vivemos numa economia crescentemente aberta. Numa economia aberta a taxa de câmbio afeta a inflação que, no país, é gerenciada por meio de metas anuais.
Desde 2000, o câmbio flutua livremente ao sabor da oferta e a demanda. Mas o país tem um jogador que é o dono da bola – o Banco Central - que detêm as reservas internacionais do país, atualmente na casa dos 352 bilhões de dólares, e é capaz de influenciar a taxa segundo os interesses da política econômica.


E foi o que o Banco Central fez na própria quinta-feira, 23, quando a mãe dele, a Dona Inflação, chamou para tomar banho e o obrigou a sair vendendo dólar a futuro segurando a taxa, na sexta-feira, 24, no patamar de 1,87, alta de 5,47% na semana.


A meta de inflação para 2011 é de 4,5% com limite inferior de 2,5% e limite superior de 6,5%. O IPCA-15 de setembro, índice que é um preview do IPCA fechado, foi de 0,53%, contra 0,37% em agosto, o pior setembro desde 2003, acumulando em 2011  alta de 5,07%.


Este setembro negro tirou a inflação do núcleo da meta do ano e forçou o Banco Central a agir sobre o câmbio para evitar a piora no último trimestre. A alta da inflação é atribuída ao consumo interno aquecido, sobretudo passagens aéreas e vestuário.


Para os importadores e exportadores ficou claro que o Banco Central não quer um dólar abaixo de 1,60 que favorece os importadores, sobretudo os de bens de consumo como é o caso dos veículos. Nem acima de 1,80, que ajuda na exportação de manufaturados, mas  achaca a meta de inflação. O sonho de consumo do governo está em torno de 1,70.


Claudio César Soares, 49, é Gerente de Contas da Export Manager Trading School.

 

 


Segundo a ACE Relações Institucionais, o Projeto de Decreto Legislativo 222/11, introduz a Convenção de Viena Sobre Venda Internacional de Bens Móveis de 1980 (CISG), foi aprovado por unanimidade na Comissão de Relações Exterior do Senado Federal.


Relatado pelo Senador João Maia, o projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça.


A CISG é um marco regulatório dos contratos internacionais de comércio exterior e sua  entrada em vigor no sistema jurídico nacional dará maior previsibilidade e segurança jurídica aos importadores e exportadores brasileiros.


Câmbio


Dólar Futuro–
Banco Central agiu e continuará vendendo para baixar a cotação ao teto em torno de 1,70. Pressão para baixa.
Euro Futuro –
Incerteza nos mercados europeus e teto atingido a 2,660 na semana passada revelam viés de baixa na semana.

 

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Fonte: Export Manager