15/08/2014 

Conflito de Gerações no Comércio Exterior

Edição 109

 

O comércio exterior brasileiro “moderno” é uma invenção da Era Vargas. Em 1953 foi criada a Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil, a CACEX, para administrar,  as operações de importação e exportação e, em 1990, substituída pela Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, sempre com a mesma filosofia: inibir importações e expandir as exportações.

 

É de 1933 o Decreto 23.258, que criou o conceito de cobertura cambial, ainda vigente e base do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). Foi apenas em 1966, com o Decreto-Lei 37 que surge o Regulamento Aduaneiro moderno, também vigente.

 

Apesar do quadro legal pronto na década de 60, com visão protecionista, foi apenas na década de setenta que o comércio exterior brasileiro de manufaturados deu um salto, promovido pelos inventivos fiscais á exportação, que gerou a primeira onda de internacionalização de empresas brasileiras.

 

Surge na década de 70 também a primeira geração de profissionais do setor: os técnicos e os traders. Os técnicos, focados nos aspectos burocráticos, alguns remanescentes ainda no mercado de trabalho, os  quais dividimos em dois grandes grupos: os estudiosos e os bem-relacionados na burocracia estatal. E os traders, caixeiros-viajantes, que pegam o aeroporto e ficam meses fora do país abrindo mercados. Ambos os perfis aprenderam na prática e, por isso, são cheios de histórias para contar.

 

Esta geração tradicionalista perdurou até o final da década de 80, mais precisamente até 1990, com o advento da abertura comercial e moldou, para o bem e para o mal, o perfil do profissional de comércio exterior que vemos ainda hoje: uma enorme preocupação com aspectos técnicos e burocráticos e uma forma de buscar negócios no exterior ainda arcaica, como se pode observar na própria APEX que privilegia o investimento em feiras e viagens internacionais e não no preparo e diferenciação da empresa, do produto e do exportador.

 

Na década de 90, a expansão do comércio exterior, sobretudo pelo lado das importações, faz surgir um sem-número de cursos de graduação, especialização, técnicos e outros.

 

Neles  é formada a Geração X, que nasceu na década de 80. Como não tiveram a prática dos Tradicionalistas e, pior, nem uma formação teórica sólida haja vista que a quantidade de alunos fez com que professores fora da área fossem adaptados, os profissionais da Geração X, que permaneceram na área, tiveram que ser formados pelas empresas contratantes por meio de treinamentos intensivos e da rotina.

 

São, contudo, profissionais sem o perfil 360°, típico dos Tradicionalistas, porque aprenderam sobre rotinas e não sobre problemas, sendo, portanto, limitados as suas áreas de atuação, em geral exportação ou importação.

 

A década de 10 traz para o mercado os nascidos na década de 90, ou seja,  a geração Y.
Como os Tradicionalistas gostam de aprender fazendo, mas acham que o Google pode resolver todos os problemas teóricos e técnicos que porventura surjam. Leitura da legislação é absolutamente entediante e de necessidade duvidosa para esta geração.

 

Mas tem um ponto positivo: tem um dinamismo e idealismo que não se vê mais nem nos Tradicionalistas, até por uma questão de idade, nem na Geração X, que acha que já aprendeu tudo e, desiludida e estressada, espera a aposentadoria na praia.

 

O sonho desta rapeize da Geração Y não é ter um emprego, como os da Geração X, nem resolver problemas, como os Tradicionalistas, mas ter qualidade de vida numa profissão muito bem remunerada em que possam contribuir para um mundo global e melhor, quase cópia do preâmbulo do Acordo da Organização Mundial do Comércio.


Claudio César Soares, 49, é Diretor da Export Manager Trading School.



Por meio da Portaria 37/11, a SECEX alterou o formulário de Declaração de Origem do Sistema Geral de Preferências SGP para feito de emissão do Certificado de Origem Form A pelo banco do Brasil.

 

 


Pessoa jurídica pode utilizar despacho de remessa expressa para efetuar exportação ou admissão temporária?
Não. Apenas pessoas físicas utilizar, na importação por remessa expressa, bens novos ou usados, remetidos ao exterior em regime de exportação temporária.


(Fundamentação Legal: Instrução Normativa RFB 1.073/10 alterada pela Instrução Normativa RFB 1.195/11)


Mercado Futuro de Câmbio


Dólar – disputa intensa. Compradores forçando para cima, vendedores para baixo. Apostamos na vitória dos primeiros batendo o teto de 1,780.
Euro –  Acordo na Grécia, viés de alta na semana, buscando teto de 2,450.

 

 

Fonte: Export Manager