15/08/2014 

A virada de Viracopos

Edição 59

O debate sobre a eficiência logística no país está concentrado nos modais marítimo e rodoviário. Isto acontece por causa da alta concentração da nossa pauta de exportações em commodities agrícolas escoada por portos e rodovias.

Quando exportamos ou importamos produtos de alto valor agregado, no entanto, o modal aéreo é o mais adequado, não apenas pela agilidade que confere ao trânsito, mas também pela flexibilidade que possui, permitindo embarques de qualquer volume e valor.

E o mais importante é que os aeroportos se transformaram em indutores de desenvolvimento de regiões concentradoras em empresas de alta tecnologia e produtos de alto valor agregado.

Aeroportos são, num mundo em que a competição é baseada no tempo, matrizes logísticas em torno das quais estão se formando parques tecnológicos. É o caso Viracopos, em Campinas.

Durante anos, Viracopos foi o principal aeroporto internacional do Estado de São Paulo. Com a inauguração do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o aeroporto de Campinas foi à lona.

Ocioso, aos poucos Viracopos atraiu companhias aéreas interessadas em operações sem congestionamento especializadas em pequenas encomendas e cargas.

Era o elo que faltava à cidade de Campinas, pólo industrial e formador de recursos humanos na área de tecnologia e comércio exterior que orbita em torno da Unicamp.

Com estes elementos, Viracopos tornou-se o maior aeroporto de cargas da América Latina concentrando, em seu entorno, empresas que importam, fabricam e exportam produtos de alto valor agregado, como celulares, bens de telecomunicações  e computadores.

Viracopos tornou-se o que se denomina de Hub, isto é, um aeroporto concentrador de cargas que é servido por aeroportos menores que carreiam suas cargas para onde descem os aviões internacionais, os chamados aeroportos alimentadores (feeders).

Ao compararmos a evolução de Viracopos e a polêmica sobre a internacionalização do Leite Lopes, concluímos que esta está fora de foco.

De nada adianta internacionalizar o aeroporto de Ribeirão Preto se ele não se tornar-se uma plataforma de desenvolvimento voltado à produção de bens e serviços de alto valor agregado.

Para isso será necessário criar condições para atrair companhias aéreas internacionais, empresas e um planejamento estratégico para que ele não se torne tão-somente um feeder de Viracopos.

A missão da Export Manager Business School neste processo é formar e informar profissionais de comércio exterior para assumir a gestão dos negócios internacionais e das operações logístico-aduaneiras das empresas que aqui se estabeleçam.

Claudio César Soares – Coordenador do Curso Técnico de Comércio Exterior
treinamento@exportmanager.com.br

 

 

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Fonte: Export Manager