15/08/2014 

Por que o Modelo Industrial Brasileiro Está Falido?

Edição 132

 

Não temos condição de competir com os produtos chineses nem com os europeus. Os chineses aproveitaram o tamanho da sua população e da sua extensão territorial e criaram uma indústria de escala com mão de obra abundante, não necessariamente barata, em comparação com outras economias asiáticas e africanas.


O que torna o modelo chinês eficiente é a velha e demodê teoria da firma, aprendida no primeiro semestre de economia, dos ganhos marginais na produção. Um único e modesto exemplo: o maior produtor de pastilhas cerâmicas do Brasil produz 400 000 metros ao mês. Uns dos maiores  produtores chineses produz 200 000 metros em um único dia, com uma produção cem por cento  automatizada. Como este cara vai competir em preço com o chinês?


O Brasil olha a China como se fosse o paraíso da mão de obra barata. Está errado. A China é o paraíso da escala de produção.
Sobraria aos brasileiros posicionar os produtos brasileiros no segmento de alto valor agregado.


Mas aí os europeus são imbatíveis com suas marcas e tradição de qualidade que permitem imputar preços premium. Basta vir a China e entrar  nos diversos shoppings de luxo para ver como os chineses adoram os altos preços europeus e suas marcas luxuosas e, vamos reconhecer, de bom gosto e de qualidade insuperável, ainda que fabricados na China ou no leste europeu. O mesmo vale para os bens industriais.


Contraponto: os Estados Unidos possuem os dois – escala e valor agregado. Sim, é verdade. Possuem a escala comprando da China e o alto valor agregado comprando da Europa.


Somente podem fazer isso porque os Estados Unidos rodam na impressora um papelzinho denominado dólar dos Estados Unidos. É uma grande façanha, alcançada em Bretton Woods, e eles merecem – conseguiram ser a maior potência econômica, política e militar do planeta produzindo apenas papel.


E o Brasil? Não temos escala. Este é o motivo porque o crescimento econômico é sempre limitado. Quando começamos a crescer, a capacidade de produção emperra em nossas maquininhas do século XX e cabecinhas empresarias do século XIX. A mão de obra é cara, não por causa do trabalhador, mas por causa do governo que encarece o trabalho.
Não temos qualidade. Estamos muito longe, na média, em ter a qualidade dos europeus.


Nossa HP imprime reais, não dólares.
Então a FIESP e a Associação Comercial de São Paulo diz que o motivo da falência é o excesso de tributação e a falta de um mecanismo de defesa comercial mais agressivo. É verdade, o Estado brasileiro é parte do problema,   mas não totalmente. E dizer que falta defesa comercial é confundir o bebê com a água do banho.


Temos sorte. O Brasil tem 300 dias de sol por ano. Temos o pressal. Se a mesma luz estivesse nas cabeças de nossos líderes talvez pudéssemos utilizar a criatividade brasileira para fins econômicos.


Nossa indústria não tem como sobreviver em escala e basta vir a China para ver isso. Não há reforma tributária,  política ou trabalhista que resolva isso, mas ajuda. Nossa curva demográfica não permite isso mais. Maré Vermelha é placebo. O  “fator escala” foi perdido na década de setenta.O “fator valor”foi perdido na década de oitenta.


É possível, não para qualquer empresa, buscar valor agregado, como os europeus. O “fator valor”  ainda existe em muitas empresas individuais, mas elas não formam um setor industrial orgânico como o europeu.


É impossível, no curto prazo, buscar a estratégia norte-americana de tornar o Real uma moeda conversível, não obstante os esforços inteligentes do  Banco Central.  Não conseguimos fazer isso nem no MERCOSUL.


Então qual é a saída para a indústria brasileira não acabar e voltarmos a ser um país de agrícola – ela não existe no momento, precisa ser inventada. Mas avançamos em relação à monocultura. Somos hoje uma multicultura agrícola!


A primeira parte da resolução de um problema é equacioná-lo. Eis nossa singela contribuição, aqui.


Claudio César Soares, 49, é Diretor da Export Manager Trading School.

 


A Instrução Normativa RFB 1268/12 substituiu a Nomenclatura de Valor  Aduaneiro e Estatística (NVE), revogando as anteriores.


A NVE estabelece critérios adicionais de descrição de mercadorias sensíveis que a aduana brasileira precisa de um acompanhamento estatístico mais específico para efeito de fiscalizar a sua tributação.




Como efetuar a classificação fiscal de uma mercadoria –XI?


Classificação fiscal, com base nos critérios de essencialidade e valor agregado deve ocorrer até a Regra 3.C.


Se, até a aplicação da Regra 3.C, não se chegou a estes critérios que permitam o enquadramento na Nomenclatura, o Sistema Harmonizado estabelece uma Regra de escape que é de número 4 permitindo que a mercadoria tenha um código de uma semelhante.


Passo 11 – Aplicando a Regra Geral 4


“As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes”


A Regra 4 deve ser aplicada apenas se até a Regra 3.C não se conseguiu um enquadramento. Em geral acontece com inovações tecnológicas cuja essencialidade ainda está difusa.


Exemplo:


Milheto é uma espécie de grama, com teor de proteína e óleo superior ao milho e ao sorgo, criada pela Embrapa, utilizada como forrageira na pecuária de corte e de leite e outros animais.


Quando foi criada, sua semente não possuía um uso definido e, por este motivo, foi classificada oficialmente no código 1008.21.00 – sementes de painço para semeadura pela semelhança com este produto.


Recentemente, esta decisão foi reformada a partir do critério de essencialidade e ela está classificada no código 1208.29.00 – outras sementes de forrageiras.

 

 

Fonte: Export Manager